quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

E agora... o abandono.



Já tive alguns animais de estimação em casa, mas só me lembro de me ter afeiçoado a um. Nunca o deixei transparecer, devido ao facto de se tratar de um caniche, ser da minha irmã e chamar-se Putchy. Devido a uma grande quantidade de pormenores assustadores (referidos acima), o cão não levava uma festinha por toma lá dá cá, não. Eu só lhe dava festas quando ninguém estava a ver ou quando ele comia discretamente os pedacinhos de comida que eu, matreiramente, fazia escapar do meu prato.
Houve alturas em que éramos verdadeiramente cúmplices, bastava mexer num pacote de bolachas e ele auxiliava-me na dolorosa (coff! coff!) tarefa de as terminar.
Um dia o Putchy fugiu, regressando duas semanas depois. Numa outra vez, o Putchy fugiu para nunca mais voltar.
A perda deste menino não foi fácil, e vi os meus pais e a minha irmã a chorarem sentidamente. Eu não verti nem uma lágrima e continuo a dizer a quem me perguntar que a ida dele foi pelo melhor, ao menos já não ladra quando batem à porta, nao corre feito louco quando ouve o aspirador, não me roi chinelos nem arranha as pernas quando tentava cumprimentar os donos.
Mas a verdade é que já não sei quando está alguém nas escadas do prédio...
Já não me riu quando faço as limpezas devido a um cão louco que embate em tudo...
Já não mudo de chinelos com tanta frequência...
Já não sou saudada sempre que entro em casa.
Mas não faz mal, o Putchy não me faz falta. Eu nem gostava daquela franja branca que contrastava com os caracois! Nem sequer apreciava quando me vinha lamber a mão. Muito menos de quando me ficava ali a guardar caso algo se aproximasse (No caso de ser um gato, ele era o primeiro a fugir).

Eu vou ter um cão muito melhor agora. E com características especiais. Não vai ter caracóis e talvez saiba falar!

Se o meu cão souber falar, eu vou passar horas com ele a conversar, e ele, com toda paciência, ficar a escutar, e depois, num gesto amigo, lambe-me.
As noites de insónia serão passado, porque vou discutir com ele sobre pedigree, e outras coisas de que agora não me lembro.
Não me importaria que seja grande ou pequenino, desde que divida um pouco de si comigo, contando-me histórias sobre o universo canino.
Além de falador, o meu cão será zen. Terá sempre alguma palavra sábia a dizer... E ao amanhecer, todo contente com o rabo a abanar, dirá que melhor dona não existe! E vai reconhecer sempre que lhe comprar latinhas de comida em vez da chata ração, vai dar valor ao facto de estar disposta a pagar para tê-lo de volta se alguma vez se perder, vai perceber que todas as idas ao veterinário são porque me preocupo com ele!

Sim Putchy, um cão melhor. Sim, foste tu que fugiste. Há dois anos que não dás notícias. E pior é não saber até que ponto realmente partiste. E bolas, foram 11 anos passados contigo...

1 comments:

DaisyPusher disse...

Estou a chorar desalmadamente sua malvada! E isto foi absolutamente creepy porque a minha cadela (da minha irmã) também era um caniche creme, mas ganhava em nome...Raiza :O Mas sim, fugiu e foi mega dramático :( já lá vão uns 10 anos desde que ela fugiu, mas os riscos nas portas de vidro de quando ela arranhava porque queria ir para o quintal ainda andam por cá.
Agora tenho uma gatinha, e vivo no pânico de que ela se arme em Raiza e se pisgue sem dar cavaco a ninguém. Sempre que vai para o quintal lá estou eu a vigiá-la cheia de medo, os meus ouvidos sempre à procura do guizinho.

God...animais de estimação :') é tão bom, mas quando acaba nem dá para acreditar o quanto realmente magoa.

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